sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tempo de recolher...

Tempo de recolher a vela, ancorar
            o barco. O mar está  calmo, as ondas
                        vagueiam, um balançar suave dá
            o ritmo do que se passa comigo.

Uma gaivota se perde ao longe. O vôo
            me leva até  as montanhas. Descanso,
                        pouso numa árvore distante,
            a floresta me abriga.

Ouço a fonte, água correndo entre
            as pedras, seixos rolando
                        macio, tocando meu coração.

Um encontro num tempo, lá atrás...

          Há poucos instantes conversei com uma ex-colega de científico que não a via desde a conclusão do curso, em 1962. Estudamos no Colégio Diocesano do Crato, no estado do Ceará, Brasil. Coloquei o país porque este blog já foi visitado por internautas dos Estados Unidos, Alemanha e India. E estou apenas começando. Fico feliz e por que não, vaidoso.
          Fiquei sabendo das notícias dos nossos colegas, alguns já não estão mais no planeta, retornaram, o que me conforta muito pois já conto com a presença deles do outro lado, nosso destino final. É muito interessante o reencontro de duas pessoas já maduras depois de um período de quase cincoenta anos sem se ver. Fica aquela insegurança, surpresa mesmo. O que ela vai achar de mim? Uma coisa é certa: hoje estou muito mais feliz do que era no auge da adolescência. Garoto tímido, inseguro, me achava feio, não quero dizer horroroso, mas era como me sentia naquela época. Medroso, sentado naquela cadeira de sala de aula, rodeado de colegas, vendo a hora ser interrogado pelo Mestre. Tremia!
          No recreio aliviava a tensão e a gente se encontrava mesmo, se dava, jogava conversa fora e a energia se dissipava nas brincadeiras. Era um tempo mais calmo que hoje, não se ouvia falar em violência, muito menos dentro do recinto de um estabelecimento de ensino. Havia um respeito muito grande para com os professores, donos do conhecimento, a quem a gente se dirigia com muita reverência.
          Minha amiga, você tocou um espaço meu, guardado com muito carinho, te agradeço.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Flores do meu quintal...


Esta é a Dama da Noite (Epiphyllum oxipetalum - Cactaceae). Abre-se no inicio da noite para receber os polinizadores. Muito perfumada. Trouxemos uma pequena muda para o Ceará, presente de uma senhora que reside numa fazenda no interior de Goiás. Aqui em Caririaçu ela se deu muito bem e já presenteamos algumas pessoas, retribuindo a bondade da nossa querida goiana.





Dois botões florais da Dama da Noite e uma flor aberta. A floração é efêmera, cada flor abre-se apenas numa noite, depois murcha e cai.



"Havia, no jardim da casa, uma trepadeira a que, no sertão, chamamos dama-da-noite, por despontarem suas flores somente à noite e murcharem durante o dia" (Ciro dos Anjos, O Amanuense Belmiro, p.42). (http://balaiodesiri.blogspot.com/)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ser Livre

Ser Livre
          para viver,
Ser Livre
          para morrer,
Ser Livre
          para rir,
Ser Livre
          para chorar,
Ser Livre
          para pedir,
Ser Livre
          para se dar,
Ser Livre...

Meus filhos, minha vida.

Este é o Bruno, ensaiando agronomia. É médico.
Gostava de levar meus filhos para o trabalho.
Fazenda Água Limpa - UnB
Pomar de espécies nativas, projeto meu e da
Professora Tereza Vaz Parente.
Brasília - DF.
         Depois da minha primeira separação costumava me sentir culpado por não estar presente na vida diária de meus filhos, sofri muito com isto, chorei incontadas vezes. Era um desespero! Me lembrava do acordar junto, pedir para que escovassem os dentes, tomar o café da manhã na mesma mesa. Ah quanto sofri! Um abraço apertado em cada um, um beijo na face, quantos oi pai! perdi, não conto e isto não tem retorno.
         Meu coração chora  por tudo que deixei de viver com vocês. E parece que vai se partir. Se sobrar um pequeno fragmento, que seja para me lembrar das coisas boas que vivemos juntos. Amo muito você minha Clivia, você não sai de perto de mim minha Laelia e você Bruno, é o meu eterno menino.

Tua presença

Agora  entendo  porque
            me olhaste através do
                        olhar sereno
            daquela criança.
Agora compreendo porque
            me tocaste através das
                        mãos daquela menina.
Agora posso entender
            todos os caminhos que
                        percorrestes à
            minha procura, cada
                        ser que visitaste
            para que me desse
                        conta da Tua presença.