quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Volto na hora de dormir...

É um vazio preenchido com a solidão de muito tempo distante de você, você de mim.
As paredes da casa estão frias,
o ar pesado, difícil respirar, impossível suportar.
Cada móvel esconde sua própria poeira,
pó de muitos dias, acumulado desde o tempo que nos afastamos um do outro.
Inútil removê-lo, perdeu o brilho.
Nenhum canto da casa me serve de refúgio, me dou conta.
Saio, encontro pessoas, faço meu trabalho, esqueço um pouco.
Volto na hora de dormir.

Teu jeito dengoso de roçar em mim...

O vento passa, me traz muitas lembranças.
Imagino tenha vindo de tua direção,
fonte aberta no teu coração.
Teu cheiro vem com ele, tuas carícias,
teu jeito dengoso de roçar em mim.

É vida, esta que vem com o orvalho da manhã...

É vida, esta que vem com o orvalho da manhã.
A folha da grama mostra, são gotas pequeninas,
pérolas brotadas do mais profundo ser.
Me dou conta agora do quanto a vida me dá.
São tantas as manhãs, é só me acordar e num sorriso deixar que tudo aconteça,
me levando sempre em novas descobertas.
Você é mais uma pérola, um pouco da alegria que a vida me trás sorrindo.

Bom Dia!

Uma calma dentro de mim.
Você está bem perto, me abençoando.
Vou aos poucos me acostumando.
Esta paz não é só minha, percebo.
Se você chega a mim e me toca, me sente,
Será abençoado também.
Olhe na direção do seu sentir.
Abra as portas da suavidade, suavemente.
Respire no mesmo compasso, lentamente...
Suavemente seja. Guarde com você, é seu.
Um presente assim, é meu BOM DIA...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A sibipiruna está de folhas novas...

A sibipiruna está  de folhas novas,
                        verde bem claro, a cor do
                                    sentimento amoroso.

            Tanto amor assim, a natureza se dá ,
                        vejo pelos botões que se preparam,
                                    se enchem, se abrindo logo
                        mais em flores amarelas.
           
            Frutos explodindo, ouço seu estalar,
                        lançando bem distante a essência
                                    do amor em pequenas sementes,
                        logo mais grandiosas árvores.

            Alheios a tudo isto, passamos na
                        calçada, distantes da natureza,
                                    da árvore, sua sombra,
                        com medo de amar.


Paródias da vida quase real...cinco.

            Helena amanheceu o dia mais calma, coração batendo macio, no compasso da manhã que se mostrava amena, bem aconchegante. Caminhava pelo jardim olhando as flores, se demorou um pouco mais numa linda touceira de hortênsias junto à janela do seu quarto, um recanto todo seu.

        Helena respirava um ar renovado naquela manhã. Uma atmosfera de paz parecia envolver o ambiente. Agora estava sentada num banco rústico de madeira à sombra de uma enorme mangueira, frutos ainda verdes pendiam dos ramos, quase chegando ao chão. A luz do sol penetrava por entre as folhas, matizando o solo de variadas réstias e uma delas parecia massagear o coração de Helena. Ela nem se deu conta. Uma alegria de natureza sutil foi aos poucos acalmando seu espaço interior, uma paz como há tempos não havia sentido.

        A natureza é uma fonte permanente de bem estar, acolhe com carinho cada ser vivente, transforma instantaneamente o humor de qualquer pessoa. Parece milagre. Se você não está se sentindo bem, se algo dentro de você está te incomodando, caminhe sob as árvores, passeie pelas áreas verdes de um parque, retire-se para um lugar agradável, junto à natureza. É o bastante para te trazer alívio e te abastecer de uma energia renovada, viva.

        Foi o que aconteceu com Helena. De repente, sem que ela se desse conta, seu estado de ânimo não era o mesmo. Sentia-se renovada, de alma nova. Quem poderia ter levado Helena até o jardim? Sua intuição? Uma força maior desconhecida? Seu anjo da guarda? Seu guia espiritual? Seu mestre interior? Não sei, o certo é que Helena neste momento não carregava mais o peso do sofrimento que viveu pelo abandono do seu amado. Parecia que não havia passado por tamanha provação.

        Deu graças a Deus e saiu correndo, de braços abertos, sorrindo, cantando, dançando, completamente entregue à Existência. Um suspiro profundo aliviou completamente seu coração, pronta para partir pra outra.
        A entrega que Helena deixou acontecer dentro de si mesma, o relaxar, a aceitação do sofrimento contou muito para sua transformação. Quando você aceita o momento presente, da forma como ele se apresenta para você, algo novo dentro de você brota. Você procura aquilo que estava te incomodando e não encontra mais. Você fica surpresa, para onde foi esta emoção? Procura e não encontra mais. Isto é transformação e não precisa de nenhum medicamento, é um processo natural. Uma bênção.