sábado, 27 de agosto de 2011

Sou noite e dia...

Claro como o dia.
Se é noite, tudo muda, o claro se vai, se vai o dia.
Se o dia se vai, eu vou com o dia.
Quando a noite se chega, me despeço do dia.
Se assim acontece, me dou pro dia, me chego pra  noite.
Sou noite e dia.

Ser assim...

Ser assim como um ninguém, nem ser, não sei...
Ser assim só se for só, melhor, nem ser, não sei.
Se não sei, melhor assim.
Me achar e achar que sem mim, não sou.

Nós dois, um só caminhar...

Vou estar comigo mesmo, depois te procurar.
Ao te procurar vou me encontrar em você...
No teu abraço, no toque de mãos. Vou me dar por inteiro, te encantar.
E assim caminhar contigo, lado a lado.
Chegar, não sei. Aonde nem pensar...
Nós dois, um só caminhar.

Menino de engenho, fui um...


Botar fogo na fornalha, lenha ou bagaço de cana seco.
Gostava de ficar olhando o subir da labareda.
Uma quintura que não tinha tamanho.
Fornalha - onde se produz a rapadura.
Bagaceira do Engenho - no final da tarde, começo da noite,
ponto de encontro dos cortadores de canas e de cambiteiros.
Muita lorota, conversa fiada, animação. Chupar cana na
bagaceira, fiz muito junto com a meninada.

          Fui menino de engenho. Meu pai fazia três moagens por ano, uma no Sítio Flor, outra no Sítio Xavier e uma terceira no Sítio São Lourenço. Era uma festa para a meninada. Bebíamos garapa na fornalha numa cuia, comíamos raspas de rapadura na gamela, tirávamos alfinins na cana (puxa-puxa) e chupávamos cana na bagaceira - era um dia todo de guloseimas doces. Para salgar a boca, uma boa farofa que minha mãe servia aos trabalhadores no meio da tarde, com café.
         Nunca vou esquecer do cheiro da fornalha, com a garapa fervendo, borbulhando no tacho de engrossar o mel. Mel despejado na gamela, mexia-se sem parar até se tornar pastoso, pronto para ser cacheada a rapadura. Depois de fria, retirada das caixas e depositada num quarto reservado ao armazenamento.





EXPOCRATO, seu Pedro representou muito bem Caririaçu...

          Meu pai, Pedro Nogueira Machado, representou muito bem Caririaçu na EXPOCRATO e com o produto mais importante - gado. Empreendeu um trabalho minucioso e bem elaborado de seleção de gado da raça Gir. Sempre gostou muito desta raça indiana, principalmente pela sua rusticidade e produção.
          Sua seleção beneficiou positivamente o rebanho bovino da região do Cariri, de todo estado do Ceará e estados vizinhos, para onde vendeu muito bem seu produto. Chegou até a introduzir a inseminação artificial na melhoria genética da seleção que ele conduziu. Trabalhou até quando sua saúde permitiu e nunca se afastou da sua luta diária, que começava infalivelmente as três horas da madrugada e terminava no final da tarde.
          Por sua participação por mais de 50 anos na EXPOCRATO, nunca tendo faltado um ano sequer, recebeu várias homenagens, entre elas, o nome de uma Alameda dentro do Parque de Exposição (foto acima) - Alameda Pedro Nogueira Machado. Seus animais foram sempre muito premiados e receberam inúmeras taças por suas qualificações.
          Seu Pedro não se encontra mais entre nós. Deixou o nosso convívio aos 94 anos de idade. Ficaram as saudades e as melhores lembranças de sua passagem pela sua terra natal.             

CNEC de Caririaçu, foi um marco na educação do município...


Primeira turma de formandos do Ginásio São Pedro - CNEC - Caririaçu-Ceará. 1965.
Da esquerda para a direita: Geraldo Alves, Jackson, Onisia, Vicência, Fátima Rodrigues, Donana, Marlene Martiniano, Adelina, Catarina Borges, Francisca de Sousa, Aspásia, Aidê, Mariá, Pedro Rodrigues e Flávio Borges.
          A Campanha Nacional de Escolas da Comunidade -CNEC de Caririaçu, merece ser registrada no blog Ser Livre. Foi um marco no setor educacional da cidade. Começou com o Ginásio São Pedro, que teve como primeiro diretor o Padre Vicente Alves Feitosa. Depois foi dirigido pela professora Maria de Nazareth Nogueira Machado, e, finalmente, pela professora Maria Floscoelli Machado Lacerda.
          A foto acima é da primeira turma de formandos do Ginásio São Pedro, na praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Segundo um dos formandos, a turma foi hospedada na residência do casal Geraldo Botelho e Nolita Vitorino. Como não havia salão de beleza em Caririaçu, as formandas tiveram de se aprontar nos salões daquela cidade.
          A CNEC de Caririaçu, fundada em 1962, fez história em Caririaçu e a maioria dos professores, que atua na educação da cidade, passou pelas salas de aulas do Ginásio São Pedro e depois Centro Educacional São Pedro, que funcionou até o ano de 2003.
          Dona Floscoelli, como as pessoas da comunidade a chamavam, foi a expressão maior da CNEC em Caririaçu e lutou até os últimos dias de sua vida pela educação dos jovens do município. Ajudou muita gente a conquistar o seu diploma, incentivou outro tanto a retomar os estudos e não mediu esforços para manter a CNEC sempre atuante.